Custos · 26 de julho de 2026 · 6 minutos

Quanto custa realmente o comércio eletrónico por mês? Rubrica a rubrica

O custo de fazer o site é a parte visível. A pergunta de verdade é quanto você vai pagar todo mês — escrevo abertamente os itens do meu próprio negócio.

Quanto custa realmente o comércio eletrónico por mês? Rubrica a rubrica

A resposta para “Quanto custa um site?” é um valor único, e costuma ser a única coisa de que se fala. Mas o que desgasta a empresa são os itens que se repetem todo mês. Listo os itens que pago no meu negócio — não os valores, mas quais são os itens, porque os valores mudam para cada um.

1. Assinatura da plataforma

A mensalidade da plataforma de e-commerce. Não tem escapatória e costuma ser o item mais previsível. Ponto de atenção: quando é mesmo necessário subir de plano. A maioria das empresas passa cedo demais para um plano maior.

2. Aplicativos — o item mais traiçoeiro

Brinde no carrinho, contagem regressiva, pop-up, avaliações, aviso de estoque, regra de desconto... Cada um custa alguns dólares por mês. Cinco são inofensivos; quinze saem mais caros que a assinatura da plataforma.

Regra: se a mensalidade de um aplicativo é maior que as vendas que ele traz, desligue. Para a maioria, ninguém faz essa conta.

No meu caso, algumas coisas eu mesmo escrevi em vez de usar aplicativo. Por exemplo, nenhum aplicativo pronto aplicava direito a regra “10% de desconto levando 10 do mesmo tamanho”; escrevi com o sistema de funções da própria plataforma — sem mensalidade.

3. Domínio e e-mail

A taxa anual do domínio é pequena. O e-mail corporativo (correio enviado com o nome da sua marca) é um item à parte e não deve ser pulado — conversa de pedido saindo de gmail derruba diretamente a percepção da marca.

4. Pagamentos e comissões

Taxa do POS virtual, parte do banco nas vendas parceladas, comissão do marketplace. Não são custos fixos, dependem do faturamento — mas são os itens mais esquecidos no cálculo do lucro.

5. Frete e devolução

O preço de frete contratado muda com o faturamento. A questão de verdade é a devolução: o frete de ida e volta do produto devolvido costuma ser por sua conta, e às vezes ele volta sem condição de venda.

Por isso os investimentos que reduzem devoluções (descrição certa do produto, imagem real, informação clara de tamanho e cor) são, na verdade, item de custo — só que aparecem do lado da receita, e não apenas do lado da despesa.

6. Contabilidade e nota eletrônica

Integradores de nota fiscal eletrônica cobram mensalmente ou por crédito. Conforme os pedidos aumentam, emitir nota à mão fica impossível; pagar a integração sai mais barato que o custo de pessoal.

7. Anúncios

Variável e candidata a maior item. A única verdade aqui: anúncio que você não mede não é despesa, é prejuízo. O que vi de mais claro revisando contas de anúncios foram campanhas montadas com o objetivo errado gastando dinheiro sem retorno visível.

8. Produção de conteúdo

Foto, vídeo, texto. Ou você compra de fora (dinheiro) ou faz você mesmo (tempo). Nenhum dos dois é de graça. É preciso achar um jeito de produzir em escala — em vez de mandar gravar um a um os vídeos de 234 cores, montei uma linha de produção.

Como colocar sob controle

  1. Escreva todos os itens numa única tabela. A maioria das empresas não tem essa tabela.
  2. Acrescente ao lado de cada item uma coluna “o que isso trouxe este mês”.
  3. Desligue qualquer item sem retorno por três meses seguidos.
  4. Antes de adicionar um aplicativo novo, pergunte se dá para fazer o mesmo trabalho com a plataforma que você já tem.

Fazer essa tabela uma vez elimina um terço da despesa mensal na maioria das empresas. É um trabalho chato, mas um dos que retornam mais rápido.

Posso montar isto para a sua marca também

Olho para a sua marca e digo-lhe o que se pode fazer — por isso não cobro. Se achar que não nos entendemos, digo-o com a mesma clareza.

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